Se você tem uma empresa no Simples Nacional, setembro de 2026 será um mês decisivo para o seu bolso. A Reforma Tributária trouxe uma escolha que essas empresas nunca precisaram fazer antes — e a maioria dos empresários ainda nem sabe que ela existe.
Graças à Reforma Tributária, as empresas do Simples precisarão decidir entre continuar pagando os impostos como sempre fizeram, ou aderir a um novo modelo chamado Simples Híbrido. Neste artigo, explicamos tudo em linguagem simples, sem juridiquês.
O que mudou com a Reforma Tributária
A Reforma Tributária aprovada em 2025 criou dois novos impostos que vão substituir, aos poucos, vários tributos que existem hoje:
- O CBS substitui o PIS e o COFINS (começa em 2027)
- O IBS substitui o ICMS e o ISS (começa em 2029)
Esses dois impostos funcionam de um jeito diferente dos antigos: seguem uma lógica de crédito e débito, parecida com o que grandes empresas já fazem com o ICMS hoje. Na prática, quando uma empresa compra de um fornecedor, ela pode descontar o imposto que o fornecedor pagou na venda. Esse desconto se chama crédito tributário.
O que é o Simples Híbrido — e por que ele existe
As empresas do Simples Nacional sempre foram tratadas de forma especial: pagam tudo numa guia única chamada DAS, com alíquotas reduzidas. Simples assim.
Com a chegada do CBS e do IBS, surgiu uma questão: essas empresas vão pagar os novos impostos dentro do DAS, como sempre, ou seguirão as regras gerais da Reforma? A resposta do governo foi: as duas opções existem — e a empresa escolhe.
- Simples Tradicional: CBS e IBS ficam dentro do DAS, com alíquota reduzida. Tudo continua numa guia só.
- Simples Híbrido: CBS e IBS saem do DAS e seguem as regras gerais. Mais burocracia, mas com a possibilidade de gerar crédito tributário e descontar imposto das suas compras.
Por que isso importa para o seu negócio
A escolha parece técnica, mas tem impacto direto em duas coisas concretas:
1. Quanto você paga de imposto
No Tradicional, a alíquota do CBS dentro do DAS é reduzida. No Híbrido, você paga a alíquota cheia — mas pode descontar o imposto que seus fornecedores pagaram nas vendas para você. Se você compra muito de fornecedores, esse crédito pode compensar a diferença. Se compra pouco, o Tradicional provavelmente é mais barato.
2. Como seus clientes enxergam você
Aqui está o detalhe que muita gente não percebe. Se você vende para outras empresas — especialmente do Lucro Real ou Presumido — seus clientes vão querer aproveitar o crédito de CBS e IBS na nota que você emite.
No Tradicional, esse crédito é menor. Alguns clientes podem preferir fornecedores que geram o crédito completo — e você pode ser pressionado a dar desconto para compensar. No Híbrido, você gera o crédito cheio, o que pode ser um diferencial competitivo importante.
Quem tende a se beneficiar do Híbrido
- Vendem principalmente para outras empresas (B2B)
- Têm alto volume de compras de fornecedores
- Atuam como fornecedoras de indústrias, distribuidoras ou grandes redes
- Estão em setores onde o crédito tributário é fator de negociação
Quem tende a ficar melhor no Tradicional
- Vendem principalmente para pessoas físicas
- Têm poucos insumos — o custo principal é com salários
- Preferem simplicidade operacional
- Atuam em serviços como academias, salões, pequenos prestadores locais
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Uma coisa que não muda no Híbrido
Vale destacar um ponto que gera confusão: ao optar pelo Híbrido, os outros impostos do Simples continuam no DAS, incluindo o INSS patronal (contribuição previdenciária do empregador), com as alíquotas reduzidas que o Simples oferece. O Híbrido tira do DAS a CBS e o IBS — que em 2027 ainda entra na alíquota-teste de 0,1%. Todo o resto permanece igual.
O MEI não participa do Híbrido
Se você é Microempreendedor Individual, isso não te afeta diretamente. O MEI continua recolhendo tudo na guia fixa mensal, como sempre fez. A Resolução CGSN nº 190/2026 confirmou que quem está no SIMEI não opta pelo regime regular de IBS e CBS — não há Simples Híbrido para o MEI.
O prazo é curto — e quem não escolhe, escolhe ficar
Aqui está o ponto que mais preocupa especialistas: a janela para fazer a escolha é de apenas 30 dias. Quem não faz nada continua no Tradicional em 2027, por decisão automática.
A escolha não é para sempre — a Resolução CGSN nº 190/2026 confirmou que existem duas janelas por ano. Mas o custo de descobrir tarde é concreto: quem perde setembro só consegue mudar na janela de março de 2027, e os efeitos valem apenas a partir de julho. São seis meses recolhendo pelo regime que você não escolheu.
1º a 30 de setembro de 2026
A opção deve ser feita pelo Portal do Simples Nacional, com efeitos de janeiro a junho de 2027. Há uma janela de arrependimento até 30 de novembro de 2026 — e a Resolução CGSN nº 190/2026 previu que esse prazo poderá ser adiado, justamente porque a alíquota da CBS só será fixada depois da janela de opção. Passado o arrependimento, a escolha vale para todo o semestre.
Como se preparar antes de setembro
Você não precisa decidir agora, mas precisa se preparar agora:
1. Entenda o perfil dos seus clientes
Levante quantos % das suas vendas vão para pessoas físicas e quantos % para outras empresas. Se a maioria for B2B, o Híbrido merece análise séria.
2. Calcule o peso dos seus insumos
Quanto do seu faturamento você gasta em compras de fornecedores? Quanto maior esse percentual, maior o crédito potencial no Híbrido.
3. Converse com seu contador
Com esses dados em mãos, peça uma simulação comparativa com os números reais do seu negócio — não estimativas genéricas.
Perguntas frequentes
Se eu não fizer nada em setembro, o que acontece?
Você continua automaticamente no Simples Tradicional para 2027. Nenhuma penalidade — mas pode ser que o Híbrido fosse melhor para o seu caso.
Posso mudar de ideia depois de setembro?
Sim, até 30 de novembro de 2026 — e esse prazo pode ser esticado, porque a alíquota da CBS sai depois da janela. Passado o arrependimento, a escolha vale para o primeiro semestre de 2027. Depois disso a opção é revista semestralmente: a janela seguinte é de 1º a 31 de março de 2027, com efeitos de julho a dezembro. A opção também se renova sozinha, salvo renúncia expressa.
O MEI precisa fazer alguma coisa?
Não. O MEI não tem acesso ao Híbrido e permanece no regime atual sem precisar tomar nenhuma decisão.
O Híbrido significa mais trabalho burocrático?
Sim. Além do DAS normal, você precisará apurar e recolher a CBS separadamente todo mês. Esse custo — de tempo ou de honorários — precisa entrar na conta da decisão.
Meu contador disse que ainda não tem certeza sobre as alíquotas. É normal?
Sim. As alíquotas definitivas de CBS e IBS para 2027 ainda não foram fixadas. O rito é este: a Receita Federal envia a proposta de cálculo ao TCU, o TCU homologa e remete ao Senado, e é o Senado que fixa a alíquota de referência por resolução — neste primeiro ano, até 15 de dezembro de 2026. Até lá trabalha-se com estimativas técnicas: a simulação serve para entender a tendência e a margem, não para cravar o número exato.